Sandra, a professora que ensina a “alegria de viver” em Ibitinga

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Bianca Mascara, especial para o Polo Cultural

O entendimento da vida veio junto com o ballet, que iniciou aos 5 anos. É por isso que Sandra Silvia vê o mundo com leveza, encara problemas com serenidade e preza pelas artes. O ballet sempre fora o seu mundo e de tanto vê-lo com graça, virou professora, para compartilhar esse olhar. Hoje é uma das oficineiras do projeto O Palco em Ibitinga, cidade adotada há 17 anos.

“Eu comecei muito cedo, minha mãe me colocou no balé aos 5 anos e aos 7 eu participei do teste no Municipal [Escola Municipal de  Bailados de São Paulo]. Fiz uma audição com 2000 meninas e entrei em uma das cem vagas”, conta orgulhosa, como se o teste tivesse acabado de acontecer. Sandra estudou em uma das mais tradicionais escolas, localizada no centro de São Paulo. Ela morava em Diadema e perdeu as contas de quantas vezes fez o percurso até a região central da capital. “Estudei lá a vida toda”.

Quando se diz que a vida de Sandra é o balé, não se comete nenhum exagero, pois após a formação como bailarina foi dar aulas e transmitir esses encantos, essa alegria. “Como eu faço ballet desde pequena, aprendi a gostar.  Tinham outras coisas que eu queria fazer, como natação, caratê, mas eu amo o ballet, é muito tocante, envolve a gente, é uma alegria de viver”, resume.

Em um mundo visto a partir do ballet, não combina nenhum tipo de violência e quando a truculência apareceu, Sandra foi buscar um novo recanto. “Minha irmã já morava em Ibitinga e eu ia muito a cidade para passear. Um dia, em São Paulo, fui assaltada e fiquei com muito medo, então resolvi vir para Ibitinga, eu sabia que era tranquilo, via as pessoas sentadas em cadeiras na calçada”, conta.

Mãe de dois filhos, Caio (21) e Isadora (10), Sandra não titubeou migrar seu lar para o interior de São Paulo. Na bagagem, o ballet! Ela criou um estúdio onde se dedica a dar aulas para as mais diversas idades. Os filhos também passaram pelas artes, Caio foi barrado pelo preconceito com relação aos garotos na dança, Isadora continua firme sobre as sapatilhas de ponta.

Mas foi a chegada do projeto O Palco em Ibitinga que lançou uma nova oportunidade de transmitir sua ‘alegria de viver’. Sandra de Oliveira é extremamente envolvida com os acontecimentos culturais da cidade e se prontificou a fazer parte do O Palco.

“Eu vejo como uma oportunidade maravilhosa para as crianças. É muito empolgante. Estou muito feliz com o projeto, as crianças estão desesperadas para aprender, elas prestam atenção e esse projeto é muito bonito”, elogia a professora.

Balé fez sucesso na apresentação de boas vindas para o projeto O Palco.

Balé fez sucesso na apresentação de boas vindas para o projeto O Palco.

Desde o início, os alunos de Ibitinga mostraram especial interesse pelo ballet. No dia da inauguração, um casal de alunos de Sandra, que se apresentou para as crianças foi recebido ao coro de “ballet, ballet, ballet”. A espontaneidade surpreendeu a todos, em especial à Sandra.

“Foi uma surpresa. Não achei que fosse tanto, mas foi muito mágico. Acho que o ballet tem essa arte lúdica para as crianças”, relembra. Enquanto assistia a apresentação, Sandra espiava a plateia pequenina e não conteve algumas lágrimas ao vê-las em estado de encanto. Talvez, tenha começado ali o novo olhar para a vida, com a alegria do ballet.

Mas não é só a dança que anima a dedicada turma de Ibitinga. Com diversos passos nomeados em francês, Sandra também desperta um interesse pela língua. Ela mesma aprendeu através do ballet e agora é surpreendida com os pedidos de ‘como de diz isso em francês’ em todas as aulas.

“Elas vão aprender coisas que nunca virão na vida, como música clássica e outras línguas. Ensino também as partes do corpo em francês e quando não sei pesquiso para a próxima aulas. E eles nunca esquecem de perguntar, aliás ninguém falta, tenho sempre sala cheia”, comenta a professora, que preserva grandes planos para os alunos.

“Eu vejo como muito propício incluir as crianças em eventos na cidade. Eu vejo muito além e estou muito feliz”, finalizou.

O engajamento de O Palco em Bauru só é possível graças ao apoio da AES Tietê.