Professora britânica de artes vence prêmio internacional de educação com auxílio a refugiados

19.03 - Global Teacher Prize 5

Uma professora de artes foi a vencedora do Global Teacher Prize, da Varkey Foundation, premiação considerada um “Nobel da Educação”. Andria Zafirakou dá aulas para uma instituição em Brent, área pobre com alta concentração de refugiados não muito distante da capital inglesa Londres, e se dedicou a aprender 35 línguas para auxiliar as crianças na escola. A cerimônia de entrega do prêmio aconteceu no último domingo (18), em Dubai, nos Emirados Árabes.

A história surpreendente da professora rendeu não apenas o título de “melhor professora do mundo”, mas também uma gratificação no valor de um milhão de dólares. Para a docente, as artes são uma forma de comunicação que ajudaram muito no processo de adaptação das crianças.

“A arte ajuda os alunos a superarem barreiras linguísticas”, afirma a professora. Ela enfrentou uma grande dificuldade de comunicação na Alperton Community School em virtude do grande número de minorias concentradas na região.

“Não existe outra profissão como ser professor. Em que outra profissão você é altruísta e completamente dedicado a fazer outras pessoas alcançarem o objetivo certo? Estar em uma classe e acompanhar um aluno a ter uma ideia e transformá-la em um objetivo formidável é tão satisfatório, isso me completa”, enaltece a educadora.

Valorização das artes ajudou na inclusão de imigrantes na escola. | Foto: Divulgação/Global Teacher Prize.

A dedicação aos alunos foi tanta que Andria também saiu do âmbito escolar para exercer sua nobre função educacional prestando auxílio no trajeto para que os estudantes não fossem abordados por pessoas ligadas a gangues. A premiação levava em consideração o impacto do trabalho na comunidade.

Andria Zafirakou superou mais de 30 mil concorrentes na entrega da premiação, em cerimônia realizada em Dubai. Bons exemplos de professores que transformam a sociedade por meio de um trabalho comprometido não faltam no mundo. No Brasil, o projeto O Palco se apoia na arte para quebrar barreiras sociais. Embora não haja um problema de linguagem na comunicação, existe um sistema educacional, cuja qualidade nem sempre alcança as regiões periféricas e de baixa renda.

Com o exemplo inglês, e com tantos exemplos de professores inabaláveis na missão educacional, o projeto O Palco também se pauta nas artes para quebrar as barreiras de inclusão.

Brasileiro concorria entre os finalistas

Diego Mahfouz Faria Lima representou o Brasil na finalíssima do prêmio. Ele é diretor da escola municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto (SP), e quando assumiu o cargo, em 2014, a escola era apontada como uma das piores do estado. Após um trabalho de gestão democrática, que engajou alunos e a comunidade, a realidade escolar mudou completamente, com a queda no número de evasão e nos registros de violência.

Ele liderou o processo de revitalização dos espaços da escola dando maior acesso à cultura no ambiente escolar, como uma praça de leitura dentro da escola. Outras atividades culturais entraram na rotina nas escolas às sextas-feiras, dia em que muitos faltavam às aulas. Extremamente participativo, Diego acompanhava a rotina dos alunos fora da escola e ajudava nos problemas de relacionamento e bullying com técnicas de mediação de conflito.

Confira o vídeo: