O que as flores podem ensinar para a educação?

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Cada planta tem características singulares – flores únicas, cores únicas, belezas únicas. Todas crescem e desabrocham quando encontram ambientes favoráveis, que combinam com suas particularidades. A metáfora das flores é para falar de educação criativa, ou simplesmente educação. Será que nossas crianças, donas de características tão particulares, encontram o ambiente adequado ao desenvolvimento e crescimento nas escolas?

Para falar de educação hoje é preciso uma visão ampla, que contemple passado, presente e futuro. Pois só com o olhar nessas três direções podemos compreender que a educação mudou pouco em um mundo que se transformou demais.

O mundo que muda muito é mais que meramente uma aliteração [figura de linguagem que indica repetição de um mesmo fonema]. É um contraste com a educação, que permanece estática ou com poucas alterações no passar dos anos.

Uma das palavras da moda no mundo da educação moderna é “déficit de atenção”. Um diagnóstico que se tornou corriqueiro e questionável. Uma criança é apontada com tal distúrbio quando apresenta sinais de inquietude, incapacidade de se concentrar em uma atividade.

No entanto, é preciso analisar o contexto. Quantas dessas crianças com déficit de atenção não estão apenas clamando pelo movimento enquanto o sistema as coloca sentadas enfileiradas? Segundo Ken Robinson, especialista norte-americano na área de educação, elas “não estão sofrendo de nenhum aspecto especial, apenas sendo crianças”. O argumento não exclui quem realmente sofre de déficit de atenção, apenas contesta o excesso de laudos desse tipo na educação moderna. Trata-se de uma doença, não uma epidemia.

Voltamos às flores! A metáfora aborda o fato de haver particularidades muito diferentes em cada uma delas, logo necessidades diferentes. Ao colocar essa comparação no âmbito escolar encontramos crianças tão diferentes como a flora, contudo, obrigadas a dividir um mesmo ambiente de educação sem respeito às suas diferenças. A educação insiste em ser sistemática sem reconhecer que a diversidade é parte da natureza humana.

Especialista em educação, Ken Robinson defende presença das artes na educação para despertar as individualidades de cada criança. | Foto: Reprodução.

Especialista em educação, Ken Robinson defende presença das artes na educação para despertar as individualidades de cada criança. | Foto: Reprodução.

A arte floresce!

Contra as fileiras estáticas, arte! A participação das artes na educação é o que há de mais moderno contra os sistemas tradicionais. É ela a responsável por liberar a criatividade e deixar desabrochar as particularidades de cada crianças.

“As artes não são só importantes porque melhoram outras matérias, como matemática, mas porque alcançam partes intocáveis do ser”, destaca o especialista Ken Robinson.

As manifestações artísticas também conservam uma característica de suma relevância para a educação, elas despertam a curiosidade. É a partir da curiosidade que nasce o aprendizado genuíno, em que o professor é um facilitador – provoca, estimula e engaja.

Dentro das artes, a figura do professor foge àquela de mestre retentor de todos os conteúdos. Ele não reproduz conhecimento, o educador produz o conhecimento dentro de cada criança, ou seja, a auxilia na descoberta e a capacita para explorar mais de cada assunto.

O mundo ideal da educação precisa de mais desses professores, mas eles esbarram no sistema unificador da educação, no qual somente as provas podem mensurar o desenvolvimento dos alunos e ranqueá-los nos moldes padrões.

O florescer da educação precisa da quebra dos padrões tradicionais, de modo a abrir espaço para a criatividade dentro da escola. O futuro mora em uma sala de aula, ele não pode permanecer aprisionado com conceitos do passado.

 

O texto foi escrito com base em artigos sobre Cidade Criativa e na palestra do especialista em educação Ken Robinson no TED Talks. O Polo Cultural é uma entidade defensora desses conceitos, que valorizam a arte, sem deixar de lado a modernidade e as necessidades criativas de um mundo extremamente globalizado.