O Palco se junta com Acessibilidade para educação inclusiva no Jaçanã

Professoras Andresa Retti e Bruna Burkert estimulam a arte como ferramenta no projeto Acessibilidade.

Professoras Andresa Retti e Bruna Burkert estimulam a arte como ferramenta no projeto Acessibilidade.

A professora Andresa Retti já havia completado um ano à frente do projeto O Palco, com aulas de teatro no CEU Jaçanã, um dos locais onde o Polo Cultural mantém suas atividades, quando foi surpreendida com um convite. A proposta da coordenadora do projeto Acessibilidade, Bruna Burkert, era para que ela também assumisse as aulas de artes na nova iniciativa, colocada em prática em 2017 para atender crianças com deficiência. Andresa aceitou.

“A princípio eu era somente a professora de teatro, mas como também tenho a pedagogia como formação, poderia ajudar no Acessibilidade”, conta. Andresa seria responsável pelas práticas artísticas, que ajudam no desenvolvimento motor e cognitivo dos alunos com deficiência, mas desde o início ela mantinha o pensamento em uma inclusão de seus alunos de teatro. Ela sabia que isso poderia render benefícios para ambos os lados. Andresa acertou.

“Já tinha pensado nisso antes, tinha esse propósito de juntar as turmas”, reiterou. O primeiro passo para aproximar os alunos do Acessibilidade daqueles que estavam na turma de teatro foi provocar o encantamento e a estratégia foi a própria arte.

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“Fizemos uma peça com as crianças do teatro e elas se apresentaram no Dia das Crianças para os outros alunos”, relata Andresa. “Dois alunos, a Beatriz e o Kauã disseram que queriam participar do teatro também”, completa. A dupla de alunos do Acessibilidade, então, assumiu papéis no elenco da turma de O Palco. Era o início de um teatro inclusivo que aproximaria duas realidades diferentes no palco.

Cauã, que tem Síndrome de Asperger, foi o narrador da história que tinha Beatriz como uma das personagens no enredo do Sítio do Pica Pau Amarelo. Com dificuldades de sociabilização, o garoto mostrou tamanha desenvoltura na apresentação que muitos alunos sequer notaram ser ele portador da síndrome.

“Eu trabalho com crianças em idades bem diferentes no projeto O Palco, de 6 a 16 anos, então eles têm essa consciência de respeitar, de não desprezar o mais novo e de se ajudar”, explica Andresa Retti. O respeito protagonizou a convivência construtiva entre os alunos das duas iniciativas do Polo Cultural no Jaçanã, zona norte de São Paulo.

Do Acessibilidade, Kauã e Bia se destacaram com a turma de teatro do projeto O Palco, no Jaçanã. A professora Andresa foi o elo.

Do Acessibilidade, Kauã e Bia se destacaram com a turma de teatro do projeto O Palco, no Jaçanã. A professora Andresa foi o elo.

Intercâmbio de alunos pela inclusão

Depois dos dois alunos de acessibilidade participarem da peça do projeto O Palco, o inverso também aconteceu. Andressa Retti convidou algumas alunas de teatro para participarem de uma peça desenvolvida no Acessibilidade.

“Não vemos tanta diferença quando eles estão naquele meio”, pontua a professora. Após a apresentação da peça, os alunos se divertiram com os aplausos e a sessão de fotos. “O Cauã achou sensacional, tirou foto com todo mundo e a Beatriz, que na época era mais retraída, ficou muito feliz com tudo aquilo”, acrescenta.

Alunos do projeto Acessibilidade também têm vivência no palco.

Alunos do projeto Acessibilidade também têm vivência no palco.

Pra valer!

Depois das experiências de sucesso integrando não somente os alunos do Acessibilidade com as práticas teatrais, mas também com as outras crianças que participam do projeto O Palco, a proposta inclusiva será ampliada.

“Esse ano vai ser diferente! Vai ser realmente uma peça com todos juntos. Já estou falando para os novos alunos de teatro e os outros também contam como é legal”, diz a educadora.

Beatriz, que gostou tanto das aulas de teatro também irá frequentar a nova turma do projeto O Palco, sem deixar de lado as atividades artísticas que realizada no Acessibilidade e a ajudam tanto no desenvolvimento. “Ela quem pediu. Tinha uma grande questão de relacionamento, mas interagiu fez cena, conversou, foi tranquilo, está bem mais integrada”, avalia Retti.

“Nós fazemos essa junção entre educação e teatro para mostrar que é possível. Ajuda a ter mais confiança e isso é muito importante para a inclusão, que eles confiem no potencial próprio”, declara pedagoga, quem sente sensíveis mudanças no desenvolvimento das crianças com deficiência. “Nas aulas de artes plásticas, o desenvolvimento motor é muito forte e eles têm algum desenvolvimento cognitivo. No teatro tem alguns exercícios que também trazem essa motricidade e lateralidade”, avaliou por fim.

A peça entre os alunos dos dois projetos será apresentada no fim deste ano, como parte da etapa final do O Palco e como prova de que é possível promover ideias de inclusão social dentro das atividades escolares. O Acessibilidade carrega a proposta de desenvolver os alunos com deficiência com atividades artísticas específicas, pensadas desde o início para fomentar a adaptação ao palco e usar metodologias do teatro adaptadas. O resultado são muitos protagonistas.