O Palco forma atores do pensamento crítico na zona sul

29.03 - Teatro Plinio Negrao 1

“Vai começar o teatro?”

É com essa pergunta que dezenas de alunos abordam a coordenadora Mônica Borges Amaat, da E.E Plínio Negrão, zona sul da capital paulista. As aulas de teatro passaram a fazer parte da rotina escolar da escola com o projeto O Palco em 2017 e seguem em ação neste ano. Sim, as aulas vão começar!

A resposta tão aguardada finalmente chegou ao grupo de alunos que fez parte do primeiro grupo e aos outros tantos interessados em encenar uma nova jornada. “Todos os dias tem alunos na minha porta perguntando quando vai começar. Esse ano ainda não conversei sobre o tema com o professor, mas vamos fazer isso em conjunto com os alunos”, conta Mônica Borges.

“O Plínio Negrão tem mais uma vez a oportunidade de ter essa oficina de crianças e jovens mais pensantes. Digo isso, porque não trabalhamos com a formação de atores, mas com a formação do pensamento, de trazer à tona o que incomoda”, explica o professor Fernando Fersa, que além de dar aulas de artes no ensino regular, é o oficineiro de O Palco no teatro.

O ‘tema’ referido por Mônica e ‘pensamento’ citado por Fersa são a grande virtude de projeto O Palco na escola da zona sul. O teatro entrou no ambiente escolar porque é uma ferramenta valiosa para tratar temas polêmicos, políticos e polarizados.

“O teatro nos ajuda muito a trabalhar alguns conceitos que é difícil na sala de aula, como temas polêmicos, de questões de gênero e preconceito”, conta a coordenadora. O ambiente descontraído e a aproximação do professor com os alunos, também revela aos educadores os bastidores de quem faz a escola. “A gente percebe, não só em relação a esses temas, eles falam um pouquinho deles e nós acabamos conhecendo mais os alunos. A gente entende muito o que acontece na escola”, acrescenta Mônica.

Meninas do teatro colocaram o feminismo na roda de discussão e da frente do público com a peça Risos e Angústias. | Foto: Arquivo Polo Cultural

Meninas do teatro colocaram o feminismo na roda de discussão e da frente do público com a peça Risos e Angústias. | Foto: Arquivo Polo Cultural

Em tempos de intolerância e vertentes polarizadas, redes sociais que desconectam pessoas de ideias diferentes e debates cujos argumentos se confundem com ofensa, a Escola Estadual Plínio Negrão dá o exemplo através de aulas de teatro que proporcionam o debate e a aceitação de pensamentos.

“Pra mim é especial esse trabalho, eles rendem muito mais em sala de aula, eles se envolvem na escola e tem crescido cada vez mais”, pontua a coordenadora.

As aulas de O Palco no E.E Plínio Negrão começam na primeira semana de abril, assim como nas outras unidades escolares que o Polo Cultural atua. Além das oficinas de teatro, a escola da zona sul da capital conta com oficinas de instrumentos musicais, também proporcionadas pelo Polo.

 

O grupo de teatro da escola nomeou a companhia de Cia Variável e você pode acompanhar a página administrada pelos alunos no Facebook. Para ajudar o Polo Cultural a manter atividades culturais como essa, acesse nosso canal de contribuição e veja as diversas maneiras de incentivar a cultura.