Ninguém faz teatro sozinho e Andressa ganha nova companhia com O Palco

A professora acredita na construção coletiva e no brilho que mora nos olhos das crianças. | Foto: Polo Cultural.

A professora acredita na construção coletiva e no brilho que mora nos olhos das crianças. | Foto: Polo Cultural.

Enquanto Andressa Francelino conversa com os convidados sobre a participação no projeto O Palco, há uma movimentação atrás dela. A professora está em seu espaço preferido, um salão com um tablado bastante convidativo aos pés descalços. As paredes pretas ao fundo dão um ar ainda mais sugestivo ao palco do Espaço Protótipo, em Bauru, interior de São Paulo.

Ela está voltada para as cadeiras, como se acostumou a ficar em uma série de apresentações como atriz, enquanto o grupo do Polo Cultural permanece no lugar da plateia, naquele dia, vazio. Pedro, um de seus alunos mais dedicados, é quem provoca a intensa movimentação por trás da imagem da professora atenta. Munido de um balde e um esfregão, ele vai limpando o palco.

É como se Pedro, o aluno, encenasse as palavras de Andressa, a professora. “Teatro sozinho ninguém faz, a gente sempre precisa de parcerias”, afirma Francelino. “O teatro gera essa consciência. Também ajuda com desinibição, o fato de conhecer o próprio corpo, as suas potencialidades”, completa.

Essa será uma das missões de Andressa junto ao projeto O Palco. Ela fica responsável pelas aulas de teatro para as crianças da Escola Municipal Geraldo Arone. A atriz tem uma motivação a mais antes de começar as aulas, ela vê o próprio passado refletido nos olhos iluminados das crianças diante das artes cênicas.

“Até me arrepia, quando eu vejo esse pessoal, essas crianças. Vendo o brilho no olhar delas e essa vontade, eu me vejo. Quero fazer sempre mais por essas crianças”, acentuou Francelino.

A professora acredita na construção coletiva e no brilho que mora nos olhos das crianças. | Foto: Polo Cultural.

A professora acredita na construção coletiva e no brilho que mora nos olhos das crianças. | Foto: Polo Cultural.

Andressa começou cedo, assim como as crianças de O Palco, aos oito anos, mas fora quase dez anos depois que tomou uma das decisões mais importantes da sua vida, a de cursar artes cênicas.  “Quando eu fui fazer o curso, tinha um medo muito grande. Decidi cursar seis meses, para ver se eu gostava e foi um encantamento muito grande”. Ela deixou Bauru para fazer a graduação em Londrina, no Paraná. Apesar do receio quanto a falta de mercado de trabalho, nunca lhe faltou oportunidades.

Hoje restam mais certezas do que dúvidas para a professora, cujo o braço esquerdo exibe uma tatuagem das máscaras que representam o teatro. Uma de suas convicções é na enorme importância do teatro na formação das crianças.

“Ele me transformou como pessoa. Nesse micro podemos causar pequenas revoluções. Aqui eu sinto que eu tenho um lugar no mundo”, afirmou. “Hoje eu me sinto feliz, de ser alguém, de olharem para mim e projetarem alguma coisa, ser uma inspiração”, acrescenta com humildade de quem sempre interpretou a vida com coragem. Andressa Francelino não teve acesso a um projeto como O Palco em Bauru quando criança. Teve o primeiro contato com o teatro amador, grupos de igreja ou afins.

O teatro, que ensina uma construção coletiva, a levou a administrar o espaço Protótipo com o colega Fábio Valério em 2014 – a inauguração aconteceu dois anos antes da entrada de Francelino. O sócio chegou a investir dinheiro do próprio bolso para garantir a permanência daquele ambiente dedicado às artes no centro de Bauru. Fruto de muito esforço, o Protótipo se mantém sozinho hoje.

Um gato participa de um dos atos em Bauru. | Foto Polo Cultural

Um gato participa de um dos atos em Bauru. | Foto Polo Cultural

Ao fundo, atrás de Andressa, os participantes da Companhia já ensaiavam um alongamento, mas a professora ainda projetava os novos alunos. “Estou bem ansiosa para conhecer os alunos. A expectativa é de desenvolver um trabalho bacana, a cada dia ter um encontro e uma experiência nova”, comenta.

Dois gatos entram em cena no tablado de madeira. A dupla felina se junta nos alongamentos. Enquanto isso, Andressa conta que já conhece a professora Bel Droppa, responsável pelas aulas de dança contemporânea, pois ela foi sua aluna em algumas ocasiões exatamente no Protótipo. “A Bel é uma querida, já nos encontramos para articular como será a inauguração”, comenta.  [Veja como foi!]

Em mais um ato daquela noite de conversas, Andressa Francelino finalmente se junta ao grupo. Auxilia no alongamento de uma das atrizes, acaricia um dos gatos e começa mais uma aula de teatro em Bauru.

A participação do O PALCO em Bauru só é possível com o apoio irrestrito da AES Tietê! Você também pode ajudar as iniciativas do Polo Cultural no nossa canal de contribuição.