A aluna que voltou para a escola como professora do projeto O Palco

Arte 5 - especial professores - Dafne

Bianca Mascara, para o Polo Cultural. 

Dafne Geovana Pereira é figura conhecida na Escola Municipal Geraldo Arone, na região periférica de Bauru, interior de São Paulo. Ao andar pela escola é saudada por vozes infantis que gritam seu nome. Ela acena em um movimento de simpatia e retribuição.

Conhece as salas de aula, o pátio do colégio e as demais dependências como poucos, mas para diante da sala central em um olhar atento e curioso. Tira os sapatos para entrar descalça no novo piso coberto por linóleo, um material apropriado para práticas de atividades que requerem movimento e contato com o solo. Observa os novos espelhos e passeia com os dedos pela barra de ballet. Dafne é ex-aluna da instituição e nova oficineira de dança do projeto O Palco, iniciativa do Polo Cultural em parceria com a AES Tietê.

Aos 23 anos, o retorno à escola como professora traz tons de nostalgia combinada com uma alegria indisfarçável.  “É uma oportunidade para eles e para mim, de retribuir. É muito gratificante poder retornar à escola, onde eu aprendi tudo, meu caráter e meus princípios”, afirma agradecida. Muitos professores deixaram seus cumprimentos a ex-aluno, que se tornou um exemplo dentro da escola depois de conseguir concluir a gradação. A formação superior tem méritos maiores quando inserida em uma realidade de hiatos de oportunidade.

“É uma área de muita vulnerabilidade, violência e entorpecentes”, contextualiza brevemente a professora. Sem nunca deixar de citar sua própria força de vontade, Dafne também credita um papel importante aos educadores por seu mérito e espera ser a mesma diferença que a levaram a um patamar inesperado aos que nascem no Núcleo Fortunato Rocha Lima.

“Tenho gratidão pelos professores, porque se não fossem eles, não estaria aqui. Quero tentar fazer o que esses professores fizeram comigo, no futuro essas crianças vão se lembrar de mim, como eu lembro dos meus professores”, reitera Dafine, que ainda mora no bairro. “Não é porque você cresceu em um lugar discriminado que deve permanecer assim”, reforça.

Dafine está de volta à escola que a formou, cheia de talento e gratidão. | Foto: Polo Cultural.

Dafne está de volta à escola que a formou, cheia de talento e gratidão. | Foto: Polo Cultural.

A trajetória de Dafne, de fato, não tem nada de estática. Ela nunca perdeu o brio para buscar uma posição melhor e não precisou abrir mão dos sonhos para suas pretensões. Ágil, ela deu as mãos ao sonho de dançar e o levou junto em sua luta. A dança deu condições para que a bauruense tivesse mais confiança e preparo.

“Eu era muito tímida e ansiosa”, contou relembrando as vezes em que desmaiou em virtude da vergonha excessiva. “A dança também me ajudou na parte de desenvolvimento, de como lidar com as pessoas, ter autoestima, criatividade, eu me apaixonei!”, acrescentou. Ao ver Dafne Pereira dançar ao som de uma música agitada, com as batidas acompanhadas de movimentos rápidos e giros, é difícil sequer imaginar que fora ela a garota tímida do Geraldo Arone.

A dança foi apresentada a Dafne aos 12 anos pela irmã, desde então faz parte de sua vida. Ele liderou um grupo de dança na cidade e se dedicou – como em tudo que ela projeta – a aprender mais, novos ritmos e habilidades. Com a chegada do Polo Cultural a Bauru, foi nome imediatamente cogitado para as aulas de danças urbanas. Dafne Pereira se formou em educação física, nas Faculdades Integradas de Bauru – FIB, com uma bolsa de 100% do programa do governo federal Prouni. Ela começou a dar aulas de dança aos 15 anos, o que fortaleceu sua coragem para não ceder frente aos obstáculos.

O projeto O PALCO em Bauru só é possível graças ao apoio irrestrito da AES Tietê.