Flautas trazem senso de responsabilidade para alunos de O Palco

Depois da chegada da doação de 56 flautas para os alunos do projeto O Palco em Ibitinga, a professora Mary Ellen observou o crescimento de uma atitude responsável entre seus alunos. Os instrumentos chegaram após uma articulação do Polo Cultural, entidade por trás de O Palco.

As flautas ficaram em Ibitinga como um dos legados da iniciativa da cidade e o cuidado com os instrumentos era uma necessidade para que eles pudessem ser reutilizados com outros alunos, aumentando o impacto para a cidade. Mary Ellen, oficineira responsável pelo ensino de música, reforçou a importância do zelo com os materiais e ficou orgulhosa com os resultados observados.

“Deixamos aos alunos essa responsabilidade pelo instrumento. Eles levavam as flautas para casa e nunca esqueciam de trazer para as aulas”, conta. “Também tivemos alunos sinceros, que não levavam quando não teriam tempo para praticar”, lembra a professora.

As aulas do projeto O Palco trouxeram uma nova sonoridade para as relações em Ibitinga, com crianças desenvolvendo pontos importantíssimos de convívio social por meio da arte. “”Muitos tinham dificuldade de se expressar e trabalhar em equipe e nós tivemos que desconstruir isso”, afirma Mary Ellen. “Além da responsabilidade, eles aprenderam a esperar e isso é uma coisa que falta hoje”, completa.

O senso imediatista é também fruto de uma geração tecnológica. Embora a questão de inserção de tecnologia no universo infantil ainda seja estudada, a resposta para uma melhor interação entre as pessoas permanece a mesma: a arte vem para quebrar também esse paradigma moderno.

“Tudo isso faz parte da formação de cidadania deles (as crianças do projeto) e aumenta também a amizade entre os alunos, e o vínculo entre alunos e professores”, analisa também a educadora Mary Ellen, reconhecendo o desafio geracional. “As crianças costumam ter menos – ou nenhum – contato com a arte, tudo que eles ouvem são músicas de rádio e interagem nos joguinhos”, conclui.

A apresentação final do projeto O Palco evidenciou tal mudança de comportamento, com a concentração que os pequenos alunos dedicaram no espetáculo, que também envolveu os emocionalmente. “Muito choraram de emoção depois da apresentação. A dimensão do que eles viveram ali foi para a vida, para jamais esquecer. A experiência marcou muito por eles serem protagonistas de algo”, recorda.

A ação do projeto O Palco em Ibitinga foi permitida com a ajuda e os recursos da AES Tietê. O Polo Cultural segue em busca de novas parcerias que viabilizem a continuidade da iniciativa.