Um teatro que ouve e fala, a arte na zona sul!

Ao longo de dois anos com aulas de teatro pelo projeto O Palco, do Polo Cultural, na Escola Estadual Plínio Negrão muita coisa mudou. O destaque do professor Fernando Fersa é pelo espaço dado às manifestações de ideias, bem como processo de escutar histórias e pensamentos. O teatro foi um aliado indispensável nessas conquistas.

“Hoje dentro de uma escola são dadas muitas informações aos jovens. Jogam informações de todas as matérias e isso deixa pouco espaço para eles falarem. Mas isso acontece no teatro, eles têm voz! E o legal é que também são ouvidos. É uma troca que quebra a rotina da sala de aula”, pontua o Fernando Fersa.

Como nem sempre o jovem encontra a oportunidade de expor o que pensa, o teatro assume esse papel fundamental para o crescimento saudável, uma vez que também pode desenvolver múltiplas formas de se manifestar pelas artes. Saber articular ideias torna-se tão essencial quanto tê-las.

“Tem muita história sem a oportunidade de ser contada”, acrescenta o professor. Desde o início do projeto O Palco, Fernando Fersa abriu esse canal de comunicação através das aulas do teatro, o que permitiu que as trajetórias dos alunos não ficassem ocultas. O educador incentivou que as inquietações fossem pautas das peças, de modo a trabalhar melhor as ideias que causavam desassossego nos alunos.

“Histórias nunca são iguais, mas muitas vezes apresentam um realidade dura e é importante escutar essas histórias, ter essas trocas”, pondera. Por meios dessa comunicação aberta, os adolescentes podem ter uma visão mais crítica quanto alguns comportamentos e logo aprendem a formar e expor opiniões com clareza.

O teatro do projetou O Palco na Escola Estadual Plínio Negrão, na zona sul, trouxe os bastidores para colocar os alunos em cena, com uma atuação mais ativa na escola e na sociedade.

Fersa expõe exemplos mais concretos. “Temos alunos, acho que totalizam cinco, que estão cursando artes cênicas e têm outros, um monte mesmo, que se deram bem em entrevistas de emprego, alguns como jovem aprendiz e tudo isso graças ao teatro”, justifica.

“Os alunos também melhoraram muito o comportamento em sala de aula, eles têm mais respeito ao professor, se manifestam de forma clara e são mais responsáveis. Não somente meus colegas professores notaram isso, mas foi algo que escutei dos pais também” completa Fersa.

As cortinas do teatro se abrem para que jovens possam apresentar seu valor e aprenderem mais do que os conceitos das aulas, mas a vida prática.

Após dois anos consecutivos, o projeto O Palco não irá continuar escola Plínio Negrão, mas ainda briga pela permanência na zona sul, na Escola Estadual Alberto Conti, junto com o educador Fernando Fersa. Caso a expectativa seja concretizada, aqueles que já eram alunos do projeto serão absorvidos na nova casa da iniciativa. A manutenção das aulas de teatro, no entanto, ainda depende da capitação de recursos.

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