Da mitologia aos tempos modernos, a arte transgressora

Em um dos famosos ensaios filosóficos de Albert Camus, ele conta o mito de Sísifo. Segundo essa história, ele foi condenado a rolar uma grande pedra de mármore montanha acima e recomeçar o serviço sempre que se aproximava do fim, pois ao se deparar com o cume, a pedra rolava pela montanha até retornar a base.

A análise filosófica trata de uma crítica à vida moderna, que apesar de se referir ao tempo de outrora, ainda é exasperadamente válida. Sísifo desafiou os Deus, por isso foi condenado eternamente ao trabalho sem sentido.

A pedra de mármore é a metáfora que representa todas as regras e leis, que o homem tem que seguir para viver sob a conduta da disciplina do Estado. Sob esse aspecto, a missão muitas vezes permanece sem sentido, como elevar uma pesada esfera de mármore ao cume de uma montanha.

Albert Camus fazia referência a classe operária, cujo trabalho árduo era esvaziado de sentido, sobretudo quando olhamos do ponto de vista filosófico. O contraponto dessa classe nos dias modernos é a classe criativa, que vai ocupando cada vez mais espaços na sociedade atual.

O homem precisa de uma motivação para buscar soluções criativas e isso está assimilado no uso de novas tecnologias. Em tempos em que a maior empresa de transporte não tem uma frota de veículos e a maior rede de hospedagem do mundo não possui propriedades, a criatividade está ditando as novas regras.

Isso prova, de uma nova perspectiva, o que já é comprovado desde os tempos da mitologia: a arte é a transgressora do ofício sem sentido, uma vez que é por si só dotada de um sentido superior, de dar novos significados à vida. Em nenhum momento ela é distanciada da tecnologia, como alguns acreditam, pois está intrinsecamente ligada às soluções criativas do mundo moderno.

Mais que isso, a pesada bola de mármore continua em jogo hoje, porém ela é arremessada com velocidade e dinamismo de um jogo de basquete. Nessa partida de basquete, pontos são marcados a cada segundo e cesta de tripla é a criatividade.