O legado da artes com O Palco faz o ciclo girar em Ibitinga

O projeto O Palco fincou suas raízes em Ibitinga no ano de 2018 dentro do Projeto Crescer, uma iniciativa que já trabalhava com as crianças no contraturno escolar. Acostumado a aproveitar a estrutura das próprias escolas, a iniciativa conheceu um espaço encantador para as atividades culturais que propôs naquele ano letivo.

As salas nomeadas de O Palco – 1 e 2 – para receber o projeto permanecem com as indicações e estruturas instaladas, assim como um enorme folder de O Palco continua à mostra. Embora tenha cumprido um ano de atuação, o legado é mais que visível.

“É uma lembrança que não se apaga”, fraseia Ana Cristina Aranas, diretora do Projeto Crescer e parceira de O Palco em 2018. Quando a lembrança adquire esse caráter de não esquecimento podemos falar em legado, por isso O Palco permanece mesmo depois do cerrar de cortinas na apresentação final – celebração que marca a conclusão de um ciclo de projeto.

“O nosso projeto O Palco aqui em Ibitinga foi diferenciado porque as crianças já estavam no Projeto Crescer. Estávamos cientes de que era um ano, mas foi tão legal que queremos continuar. Estamos fazendo nosso melhor para dar continuidade”, reitera a luso-brasileira Ana Cristina, com aquele sotaque tipicamente lusitano que todos envolvidos na iniciativa se acostumaram a escutar.

Com seu jeito sempre maternal, Ana se envolve como poucos com as iniciativas voltadas para a educação das crianças. Com o projeto O Palco foi a voz da articulação entre nossa ação e os moradores da cidade interiorana. Essa relação de proximidade e ternura com os pequenos alunos deriva de sua ação como mãe, cuja a arte sempre foi valorizada dentro da educação dos filhos.

“A arte faz toda a diferença, por isso eu promovi isso para os meus filhos. Eu sempre coloquei a educação na frente”, comenta a mãe de um estudante de medicina e de uma de psicologia. Esse cunho multifacetado da arte é justamente o que permite sua grandeza quando unida com a educação, o ensino de artes não necessariamente forma artísticas, e sim pessoas mais preparadas que se descobrem em seus mais diversos talentos.

Essa descoberta é quase sempre irreversível, por isso a possibilidade de ter aulas de artes – teatro, dança e música – com o projeto O Palco só pode trazer mais interessados. “Nós tivemos uma procura de matrículas maior nesse ano e as crianças perguntam do projeto, elas não esquecem aquele dia”, conta Ana, fazendo referência à apresentação.

São as crianças e a troca  diária com os pequenos que dão forças para Ana Cristina continuar buscando recursos que viabilizem a continuidade das ações. O legado do projeto O Palco é a sabedoria e o estímo pelas artes. “Vocês ensinaram a gente a fazer. Vocês fizeram a diferença e vão continuar fazendo, porque eu tenho a carga de 300 crianças comigo hoje e garanto que não vai acabar”, afirma enérgica.

Segundo a diretora, a Secretaria de Cultura já demonstrou apoio na permanência das ações, embora ainda seja necessário viabilizar o capital para efetivá-la. Ana Cristina não esmorece frente às dificuldades, ora mostra emoção ao lembrar das aulas, ora apresenta sua força incansável para buscar a continuidade. É com esse sentimento e envolvimento que Ibitinga se transformou pelas artes por meio de suas crianças na ação do projeto O Palco.

“Tudo que eu disser pode parecer político, mas vocês nos abriram os horizontes e nos ensinaram a fazer. Então, é pelas crianças, vamos continuar de alguma forma”, finaliza.

A ação de O Palco em Ibitinga aconteceu com o apoio da AES Tietê, que ajudou a viabilizar os recursos para o projeto se espalhar por diversas cidades do interior de São Paulo. O Polo Cultural, entidade por trás de O Palco, também segue sua caminhada em busca de apoiadores que fortaleçam o papel das artes da educação.

Para ajudar no fortalecimento das artes, apoie!