O desafio de abrir as cortinas para a cultura no interior

Foram dois anos de trabalhos no interior de São Paulo que mostraram ao projeto O Palco o valor das artes longe dos grandes centros. Desde quando recebeu o desafio de expandir a atuação para fora da capital paulista, o Polo Cultural abraçou a ideia e descobriu um vínculo muito forte essas novas cidades. Sete municípios foram envolvidos nesse par de anos.

Desbravar o interior, entretanto, representou um desafio bastante grande, que hoje lembramos como mais um case de sucesso nesses 20 anos de ações culturais. “O Palco não conhecia como funcionavam as cidades, tínhamos unidades na capital que já estavam dominadas, o projeto fluía. Quando o interior aparece, vêm com uma nova proposta”, lembra Gabriela Fiorentino, produtora do Polo Cultural.

Gabi se engajou com a articulação logo no começo dessa expansão. “Era um desafio, porque os oficineiros eram novos e tudo foi feito de forma distante, fisicamente mesmo”, explica. O projeto O Palco trabalha para ser uma oportunidade não somente para as crianças envolvidas na ação, mas também para jovens professores, que igualmente precisam de uma oportunidade dentro das artes. No interior, a novidade de um projeto voltado às artes é para educadores e alunos.

A conversa ganha tons saudosista quando Gabi começa a relembrar as apresentações de 2017, em especial Barra Bonita com 156 crianças, um verdadeiro recorde. “Quando entrei de cabeça na produção, o projeto tomou forma e tamanho na minha cabeça”, comenta a articuladora.

A maior experiência com o conhecimento do interior ajudaram a gerir melhor as atividades de 2018, segundo Gabriela Fiorentino, que também articulou a entrada de Ibitinga e Bauru nas atividades.

“Foi bem diferente porque já havíamos entendido o interior e a grandeza dele”, ressalta. Os encontros frequentes antes mesmo das aulas começaram colaboraram com um alinhamento de sucesso, que se refletiu no sucesso das atividades. “Como eu os encontrei antes das aulas, eles conseguiram pegar confiança no projeto, afinal íamos estar junto o ano inteiro. Acredito que O Palco fluiu melhor, com a participação das diretoras conseguimos fazer uma apresentação bem bacana. E ainda criamos um vínculo desde o começo”, avalia.

Nos anos de 2017 e 2018, O Palco passou por Barra Bonita, Lins, Caconde, São José do Rio Pardo, Mogi Guaçu, Bauru e Ibitinga, com apoio da AES Tietê. A continuidade no interior depende de incentivos financeiros, mas a vontade de compartilhar mais com esses municípios é tão gigante quanto esse querido interiorzão!