Por trás da cena, o olhar humanizado de Gabi dá as direções de O Palco

Quando se olha para um projeto, uma iniciativa cultural ou um espetáculo raramente paramos na reflexão de como tudo aquilo foi estruturado, de quanto de bastidores é preciso haver antes de se colocar os protagonistas em ação. O projeto O Palco é tudo isso, logo precisa de um aporte muito forte para sustentar a produção de uma iniciativa social que também é espetáculo. No nosso projeto, esse alicerce atende pelo nome de Gabi.

Gabriela Fiorentino preserva o olhar técnico para tudo que envolve produções de espetáculos desde os tempos de menina, quando era capaz de discernir os erros de continuidade nas novelas e observar com riqueza de detalhes cada cenário.

Com um talento nato, Gabi também encontra seus desafios dentro do projeto O Palco. “Quando você olha pra o projeto em si, não parece complicado de fazer a produção, nós recebemos a estrutura física da escola e isso nos ajuda bastante. Mas quando você olha a raiz do projeto, ele se torna mais importante, porque não é uma ação qualquer, envolve crianças”, ressalta a produtora cultural.

A verdade é que essa produção e articulação requer muito preparo, justamente para enfrentar o inesperado. “Envolve a realidade e a gente vai percebendo que O Palco não é uma coisa tão obvia. Pode estar chovendo forte e os alunos, sem aula, isso afeta o projeto”, exemplifica.

Contornar essas situações e encontrar soluções viáveis é uma das missões da Gabi, que sempre encontra uma saída maestral para as dificuldades que aparecem no caminho.

A produtora do O Palco já perdeu as contas de quantas peças e ações culturais ela fez parte, seja nos bastidores, ou mesmo como protagonista. Entretanto, a experiência que a ajuda a solucionar imprevistos não pode ser confundida com automatização do trabalho.

“Às vezes acontece de ir muito no mecânico, principalmente na hora da apresentação, mas aí você olha pra as crianças e vê que é o dia mais importante da vida delas. Pra mim pode ser a oitava produção do mês, mas para aquela criança é a primeira da vida”, pontua Gabi, cujo engajamento humano é um dos diferenciais que tornam O Palco uma ação especial.

“Essa diferença é justamente o que me encanta no projeto”, reitera. Nas produções convencionais, a preocupação comercial com aquilo que é produção artística se torna inevitável, porém em O Palco soma-se uma apreensão pelo sentimento, humanização é imprescindível. “Quando você faz uma peça, aquilo é um produto, tem um formato e muitas cabeças criativas para fazer acontecer. Você coloca a parte artística para entreter um público”, detalha Gabi.

“No Palco, você tem um comprometimento com a apresentação final, mas não é só um entretenimento”, ressalta a produtora. “É a oportunidade dos pais verem os filhos, de mostrar que eles são capazes e mostrar a arte para o crescimento das crianças”, completa.

Os olhares estupefados dos pais depois das apresentações prova toda a importância que um espetáculo feito por crianças pode ter no futuro. “Os pais não acreditam no que estão vendo, e nós percebemos uma união da família naquele momento. Toda forma de arte tem que ter um olhar humano, mas esse projeto mexe com vidas e não podemos passar imunes a isso. Eu entendo porque já passei por isso, fui aluna de teatro e não esqueço a primeira vez no palco”, defende.

Gabirela Fiorentino cresceu em uma pequena cidade no sul da Bahia chamada Itabatã. Não havia teatro, que a jovem só conheceria de fato aos 15 anos, então foi nas novelas que ela começou a se descobrir na arte. “Eu era muito ligada às novelas e assistia tudo com uma visão muito técnica. Quando, aos dez anos, fiz uma peça na escola já tinha certeza que era isso que eu queria”, conta.

Novos rumos levaram Gabi a pegar o diploma do curso de publicidade e propaganda, mas o vínculo com o teatro e as artes jamais permitiram que ela dedicasse muito tempo à formação.

Convencida pela adrenalina do palco, Gabriela se envolveu com montagens de diversas peças, teatro de rua, teatro de bonecos, circo e contação de histórias. “Não é uma decisão fácil, por causa do mercado. Dei a cara a tapa, mas sempre soube onde deveria estar”, reafirma. Nós, do projeto O Palco, agradecemos por estarmos onde a Gabi está.