Uma história e as novas páginas após O Palco em Ibitinga

“Quando terminou, ali mesmo, com eles, eu vi o poder que isso teve na vida deles, como isso pode marcar as pessoas”.

A frase foi dita pelo professor Jefferson Mendes, um dia depois de finalizada a apresentação do projeto O Palco, na cidade de Ibitinga, no interior de São Paulo.

O sentimento de dever cumprido permanece imbuído na fala do educador, quase dois meses depois de ter finalizado a participação no projeto com uma apresentação encantadora e inesquecível, que pode resumir bem tudo aquilo que representou a presença de O Palco para as crianças e moradores de Ibitinga.

Os ares de grandiosidade que rodearam o espetáculo final foram em grande parte resultado de um esforço semanal e uma dedicação imensurável dos professores. O discurso de Jefferson não desmente.

“Eu sempre tentei buscar uma forma divertida e diferente, que fugisse aos conceito massante das salas de aula”, explica. O projeto também representou uma novidade para Jefferson, cujas turmas costumavam ser de jovens. “Foi um grande encontro, porque eu não estava habituado com essa idade de crianças. Nas primeiras aulas de teatro, eu busquei ouvi-los muito e ver como eles reagiram aos estímulos”, rememora.

A participação em O Palco trouxe Jefferson Mendes para mais próximo das crianças e também de sua própria história, pois foi ainda pequeno que descobriu sua paixão por bonecos que o levaria a estudar teatro anos mais tarde.

“Olha, para mim também foi um encontro comigo mesmo mesmo, tentando ser o melhor professor do mundo, consumindo arte e vivendo as artes”, reconhece. O mundo pode não ter tido a oportunidade de conhecer a dedicação de Jefferson, mas Ibitinga certamente se orgulha do privilégio de atestar os cuidados desse professor tão envolvido com um trabalho tão nobre de apresentar as artes cênicas para as crianças do interior paulista.

A experiência gerada pelo O Palco foi inédita para a grande maioria dos pequenos moradores de Ibitinga que participaram da iniciativa. “Eles descobriram o teatro, a dança e a música, uma ou outra já tinha presenciado isso, acho que 2%, muito pouco mesmo! Foi o primeiro contato com a arte. Elas vão levar isso para frente, tem criança querendo fazer curso de teatro, mães preocupadas com a continuação, gerou um interesse e uma procura por arte, esse é um dos legados d’O Palco”, garante o professor, que não se cansa de encontrar crianças saudosistas pelas ruas da cidade. “Aqui é pequeno, encontro com os alunos sempre”, conclui.

O projeto O Palco ficou ao longo de um ano em atuação em Ibitinga, com apoio da AES Tietê, e deixa como legado uma vivência artística transformadora e poderosa, pois o ciclo da arte não se encerra, o legado segue vivo em cada criança que abraçou a educação junto com as artes.

Para 2019, o professor Jefferson Mendes segue cheio de planos e já começou o seu movimento, ou melhor, seu novo capítulo. “A minha vontade é começar tudo de novo, e os resultados do projeto O Palco são nosso maior trunfo. É visível a transformação, é um projeto que já está pronto e que funciona! Teve um impacto muito positivo entre todas as pessoas daqui da cidade, por isso seguimos conversando com a prefeitura e os professores estão sempre em contato. Vamos virar a página com um nova história!”

O Polo Cultural agradece especialmente o cuidado incansável do professor Jefferson Mendes na condução de suas atividades, sempre com simpatia, olhos atentos aos detalhes e ouvidos concentrados nos alunos.