O circo passou pela Jaçanã e deixou seu legado com educação inclusiva

O palco do teatro do CEU Jaçanã parecia solitário no grande dia da apresentação do projeto O Palco, iniciativa do Polo Cultural. Enquanto a plateia se enchia de pessoas e de burburinho, ele permanecia vazio e silencioso, nenhum ator e nenhum cenário. Cadê o espetáculo circense?

O público já se perguntava onde estava o tão divulgado espetáculo. Mas antes que os questionamentos pudessem causar alvoroço, os alunos do projeto foram surgindo da plateia em direção ao lugar do protagonismo, levando consigo os elementos que compunham o cenário. O circo é montado no teatro!

A apresentação era fruto do trabalho de três professores dedicados: Andresa Retti foi quem dirigiu a peça e deu aulas de teatro para a turma de O Palco e para a turma do Acessibilidade, projeto que desenvolve crianças com deficiência por meio das artes; Bruna Burkert é coordenadora do Acessibilidade e uma das grandes responsáveis pela inclusão de todos dentro das atividade e Edson Santos, por sua vez, foi o educador da dança, com uma turma de bailarias e bailarinos sempre encantadores.

As bailarinas entraram dentro do contexto circense para representar o sonho da personagem protagonista, cujo desejo maior era se tornar uma bailarina profissional. Juntar as turmas de dança com o teatro foi mais um desafio da proposta inclusão que norteou os educadores na montagem da peça, além da participação efetiva das crianças com deficiência no espetáculo.

“Esse é um resultado de um processo que tentou ser o mais inclusivo possível, não somente na questão das pessoas com deficiência, mas a interação das bailarinas com o teatro também precisa ser destacada”, reforça Bruna Burkert, que coordena a turma de Acessibilidade.

A peça conta uma história sobre a família circense, passando pelos bastidores de uma apresentação e pelos dramas do fazer artístico nem sempre valorizado. Dentro do roteiro teatral surgem os exercícios circenses, desenvolvido pelos próprios alunos que tiveram dois meses de interação estética para se aprofundarem nas artes do circo.

Gabriel Granado, um dos educadores que participou da interação estética, também participou da peça com um número de mágica e deixou os alunos mais empoderados e confiantes na condução do espetáculo.

Parte do sucesso da apresentação esteve no engajamento dos alunos com os próprios personagens: “Os personagens foram construídos pensando nos alunos, para que eles fossem todos protagonistas. A Andresa pensou em todos”, elogiou Burkert.

A professora Bruna Burkert vibrou com a apresentação, em especial com inclusão dos alunos com deficiência, “Para a gente o ciclo da inclusão foi finalizado com sucesso, concluído com essa apresentação incrível. Nós construímos dentro de um processo uma participação igualitária e os alunos do Acessibilidade estiveram no mesmo patamar dos demais. Essa participação valida nosso projeto, foi uma vitória!”, comemora.

Com a peça ainda em andamento, parte do cenário começa a ser recolhido pelos alunos. É o circo que está partindo para outro lugar. Ali, no CEU Jaçanã, o circo dos alunos do projeto O Palco e Acessibilidade cumpriu seu papel: mostrou que a arte passa pelos lugares e mora para sempre em quem se deixa transformar por ela. O artista muda o cenário e as pessoas!

A apresentação no CEU Jaçanã contou com 104 crianças passando pelo palco, das quais 11 eram crianças com deficiência. Os alunos se dividiram em um grande espetáculo que cumpriu o seu papel educacional e finalizou com méritos mais um ano de atividades artísticas dentro do Polo Cultural na zona norte de São Paulo.