Apresentação de O Palco na zona norte reforça coletivo e pedagogia

No último final de semana, as apresentações de O Palco movimentaram especialmente o Espaço Leão XIII, onde as atividades são realizadas pelo projeto O Palco com os alunos da escola Ary Barroso, na zona norte de São Paulo. Foram momentos de aprendizado e uma vivência cultural inigualável ao público e principalmente aos alunos que atuaram no espetáculo ‘A Família’.

“Foi extremamente poético e sensível, teatral e musical”, resumiu Rafael Curátolo, professor do projeto e roteirista da peça. O educador destacou que em se tratando de um trabalho com uma geração muito mais digital, as virtudes do desenvolvimento desse espetáculo se tornaram ainda maiores.

“É impossível falar de teatro sem falar de trabalho coletivo e hoje as crianças estão muito no mundo virtual, isso tem tomado muito espaço na vida delas. A gente, com o teatro, faz um trabalho no plano real e que sozinho não é possível. Por isso, acredito que foi um grande ganho de experiência para todos, do ponto de vista humano”, explicou Curátolo.

A experiência proporcionada pelo projeto O Palco é completa. Além da apresentação ao público, os estudantes vivem muito os bastidores do fazer artístico. Antes do espetáculo começar, maquiador, figurinista e iluminador reforçam o ideal coletivo de uma peça.

A apresentação ocorreu sem imprevistos e deixou uma impressão ainda mais positiva para aqueles que participaram do processo de desenvolvimento dos alunos. Porém, isso só foi possível com muita dedicação nas aulas que percorreram os dias de 2018 proporcionando mais acesso à arte e a cultura.

“A gente sempre cria uma expectativa sobre o espetáculo, mas trabalhamos para que os alunos tivessem autonomia”, reforçou Rafael, cujas últimas aulas foram dedicadas ao ensaio da movimentação nos bastidores. Até mesmo por trás das coxias era possível ver o resultado dos trabalhos.

Rafael Curátolo viu além, ele vislumbrou o potencial dos alunos e viu a gratidão no olhar de cada aluno. “O trabalho pedagógico não necessariamente dá o personagem àquele que faz melhor. A gente leva em conta a experiência e o aprendizado do aluno, por isso damos responsabilidade e os encorajamos”, conta.

O resultado é uma gratidão que não cabe em palavras. Pudera! São dispensáveis em momentos de muita emoção. “Depois do espetáculo, cada criança vinha me cumprimentar com os olhos brilhantes, pediam uma foto como se eu fosse o protagonista. Essa é a gratidão!”, completa.

O professor propôs aos alunos que vivessem todos os personagens ao longo do ano, de modo a conheceram diversas perspectivas em um mesmo contexto. Ele só não esperava também viver essa maratona de papéis em um único final de semana. Foi professor, amigo, coadjuvante e protagonista em um mesmo dia! Os alunos seguem o mestre, não é mesmo?