Apresentação com improvisação surpreende até atores do projeto O Palco

Na última reunião dos alunos da Escola Estadual Plínio Negrão antes da apresentação de estreia do projeto O Palco, eles estavam postados em uma roda quase impenetrável, tamanha proximidade. As últimas energias eram trocadas e as lágrimas escaparam aos olhos.

“Foi um choro bom, um choro de emoção”, declara o professor Fernando Fersa, que dirigiu os alunos na peça e ao longo de mais um ano de trabalho com as artes. Mesmo experiente, o educador também guardava certa apreensão, pois o espetáculo proposto contava com jogos de improvisação. Tudo podia acontecer! E de todos os cenários pode se dizer que a arte sempre nos leva para o melhor caminho.

Foram quatro apresentações que levaram os atores para alternativas de cenas diferentes. Mas o improviso tomou proporções maiores quando sequer os alunos perceberam que houve um imprevisto no teatro.

“Acabou a energia do teatro, a luz se apagou”, conta Fersa. Mas isso tampouco abalou os alunos em cena, no mesmo instante, eles pediram que o público acendesse as lanternas dos celulares. Assim, sob as luzinhas da plateia, o espetáculo continuou até que a energia elétrica se estabelecesse novamente.

Tudo aconteceu com tanta naturalidade que nem público, nem atores perceberam ter sido uma falha elétrica. Os estudantes logo acharam ser artimanha do professor para testá-los! Já a plateia jurou que era tudo parte do roteiro!

Outras situações surpreendentes fizeram parte da peça, cujo tema central era a desconstrução das princesas, levando o humor como base da montagem. O professor Fernando Fersa também vibrou com o desempenho de alguns alunos que foram desafiados na montagem.

“Colocamos os alunos com mais dificuldade para os papéis de protagonistas e o resultado foi surpreendente! Eles mostraram muita evolução no dia a dia, mas no palco isso aumentou ainda mais”, comemora.

Nem só os alunos tiveram noites de apresentações marcantes. Com grande interação com o público, o teatro também escolheu seus atores de última hora. Nos espetáculos, pessoas da plateia eram convidadas para participar das cenas e uma delas representou o sonho de uma jovem que assistia à peça. “Ela falou que sonhava em fazer teatro e depois agradeceu muito. Foi mais um sonho!”, relata o professor.

A apresentação do projeto O Palco, que Fernando já havia conduzido no ano passado, teve um sabor especial neste 2018, ano em que ele virou pai da pequena Mariah e teve que delegar maiores responsabilidades para os alunos na preparação do espetáculo.

“Foi conturbado, mas sinto que foi mais prazeroso pela luta de todos, foi uma conquista conjunta! Eu contei muito com eles e vi que posso transmitir essa responsabilidade. Às vezes, a gente fica querendo cuidar e esquece de dar assas”, declara o professor de O Palco.

Ao final da última apresentação, uma mistura de sentimentos fazia com que esse ciclo de espetáculos terminasse como começou: com um choro bom!