Peça de O Palco arrepia público e traz protagonismos para alunos de Ibitinga

Pode não parecer, mas trânsito não é uma exclusividade da capital paulista. No interior de São Paulo, na pequena cidade de Ibitinga, a Avenida Eng. Ivanil Francischini é quem acumula carros em torno das 18h, o chamado horário de pico. Na última sexta-feira, dia 23, o acúmulo de veículos estava um pouco maior. A movimentação era causada pela apresentação de Sonho de uma Noite de Verão, do projeto O Palco com apoio da AES Tietê, inspirado na obra de Shakespeare.

Em meio ao trânsito, as crianças dos projetos se agitavam nos ônibus que as direcionava para o Clube Planalto para uma noite de protagonistas. Nos bancos, meninos e meninas tinham os cabelos cuidadosamente alinhados. O brilho do glitter se mistura ao dos olhos. Era noite de espetáculo!

“O momento em que eles entraram no ônibus foi o de maior ansiedade”, conta Jefferson Mendes, um dos professores do projeto O Palco em Ibitinga. O educador também mal podia esconder a própria ansiedade, mesmo assim transmitia tranquilidade aos pequenos pupilos.

Um espetáculo começa muito antes da abertura das cortinas com um intenso movimento de bastidores que envolve uma apresentação. Naquela sexta-feira, as cortinas permaneciam fechadas quando duas vozes invadiram o teatro e faziam os pelos se arrepiarem pela primeira vez na noite. O corpo da plateia respondia aos estímulos das duas vozes infantis, uma feminina e uma masculina, que costuravam versos sobre sonhos. Assim abrem-se as cortinas, os sonhos entram primeiro e a realização em seguida.

O primeiro ato da peça Sonho de Uma Noite de Verão trouxe as fadas para o palco. Uma massa de crianças trajando roupa verde provocou uma sessão de aplausos que não pode ser contida. Era lindo ver os alunos de balé dançarem ao som dos instrumentistas.

A música ficou ainda mais animada na sequência, quando o ‘vira’, tradicional ritmo português agitou protagonistas e plateia. Uma pessoa em especial não continha o sorriso no rosto. Ana Cristina, diretora lusitana do Projeto Crescer, onde O Palco realizou as atividades em Ibitinga, confessou ao professor Jefferson em tom de brincadeira: “Se soubesse que teríamos o Vira, tinha entrado para dançar com eles”.

No cenário, alguns arbustos compunham o colorido das cenas. Eles não estavam ali por mera coincidência, como poderia supor o público. Era atrás desses detalhes no cenário que foram escondidas as partituras para o segundo ato. As flautas entraram em cena tocando a música de Romeu e Julieta. Mais um momento em que o eriçar dos pelos foi inevitável na plateia.

A peça corria sem surpresas, mas o professor Jefferson Mendes permanecia agitado nas coxias e atento a tudo. O fôlego quase foi perdido quando uma das alunas em cena demorou para acordar, mas era somente uma atuação tão brilhante que fez o próprio mestre acreditar na cena. “Ela é muito talentosa, achei mesmo que não fosse levantar”, confessa.

O último ato também teve a canção Flor da Idade, de Chico Buarque, com uma adaptação para os nomes da peça no lugar daqueles usados na música original. A história da letra e da peça são análogas.

Para o público, a peça foi uma sucessão de boas surpresas, mas faltava surpreender os próprios atores, os grandes protagonistas da noite. Bastou uma chuva de papel picado no final para as crianças garantirem o divertimento no encerramento do espetáculo.

“Quando terminou ali mesmo com eles cantando, eu vi o poder que isso teve na vida deles, como isso pode marcar. A criança se sente fazendo parte de uma história, em um mundo completamente diferente do dela, além da magia do palco, fora do cotidiano, está o protagonismo delas nesse mundo”, comenta o oficineiro Jefferson Mendes, ainda emocionado pela apresentação.

Jefferson assistiu à peça em meio a movimentação dos bastidores, atento para que tudo saísse conforme o combinado, porém foi em meio a essa agitação que ele pode desfrutar de um dos prazeres de ser professor. “Toda saída de cena foi uma emoção muito grande, porque via nos olhos deles a alegria de ter feito a cena, estavam muito orgulhosos!”, afirma.

Além de Mendes,  as professoras Mary Ellen e Sandra Silvia também guardaram suas histórias com o projeto O Palco e fizeram parte do grandioso espetáculo que é a arte na vida das crianças. O Polo Cultural e a AES Tietê agradecem imensamente à dedicação de professores e gestores.