Espetáculo O Palco traz os sonhos para perto das crianças de Bauru

A previsão do tempo para a terça-feira, dia 6 de novembro, em Bauru, apontava para um dia de magia. Era dia da apresentação final do projeto O Palco! Talvez por isso, o sorriso de Bel Droppa, uma das oficineiras da iniciativa, tenha se aberto antes dos olhos naquela manhã. A felicidade era uma prévia do que estava por vir.
Outras facetas sorridentes caminhavam pelo Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves, no centro de Bauru, por vezes se misturando com olhares apreensivos e ansiosos, naturais de todo artista na iminência de uma apresentação. Bel compartilhava esse sentimento, pois iria se apresentar com sua companhia – a Cia Estável de Ballet – na abertura do espetáculo.
Antes do palco, a plateia.  As crianças tomaram as fileiras para assistir a professora dançar com toda a leveza que os pequenos já conhecem, mas imersa em um cenário de magia, tão peculiar aos teatros e seus tablados.
Ao final da abertura, os artistas da noite foram chamados para o palco. Foram anunciados como ‘artistas’, posto que se entreolharam até reconhecerem neles mesmos o protagonismo daquela noite. Levantaram das cadeiras na plateia cheios de empoderamento, carregando o nome ‘artista’ no peito estufado.
“Durante o dia a gente fez o ensaio, mas a noite foi completamente diferente, cheia de mágica”, adiantou a professora Bel. “Muitas daquelas crianças nunca tinham ido a um teatro e de repente são anunciadas como artistas. Eu acho que a abertura com a apresentação de uma companhia de dança profissional também serviu de encorajamento e inspiração para o espetáculo que viria depois”, completou.

Professora do projeto O Palco, Bel Droppa se apresentou e também proporcionou vivência de plateia aos ‘artistas da noite’. | Fotos: Assessoria de Imprensa/House Criativa


Os alunos do projeto O Palco em Bauru pertencem à Escola Municipal Geraldo Arone, localizada na periferia da cidade, cujos estudantes são de famílias de baixa renda e pouco acesso cultural até a chegada da iniciativa.
A crianças apresentaram a peça “Que Tal Meu Quintal”, idealizada por elas e pelas professoras de O Palco. A realização teve o apoio do Polo Cultural e da AES Tietê. Através desse tema, elas representavam os sonhos como objeto da infância e passearam pelas histórias de crianças que mudaram o mundo.
A representação encantava os adultos, cujos olhos vidrados mais pareciam os de criança, uma inversão de papel muito saudável para ambos. Tudo isso era parte da magia da arte e a única representação que não acontecia naquele palco era da alegria. Ela era genuína!
A plateia, uma extensão do palco e dos sonhos!
A troca de energias entre espectadores e artistas era contínua. Quando Dafne Pereira, mais uma das professoras, entrou com o ritmo do hip hop, a agitação reverberou nas paredes do Teatro Municipal. “Eles foram ao delírio e isso foi muito gostoso. A plateia estava muito calorosa e essa afetividade da família chegou até o espetáculo”, contou Bel Droppa.
Essa relação de afeto e admiração entre pais e filhos chamou a atenção da professora. Ela acredita que esse seja mais um dos muitos legados deixados pelo Polo Cultural na comunidade de Bauru. “Quando foi a última vez que os pais olharam para seus filhos com tanta admiração e enxergaram um verdadeiro potencial neles? Essa emoção a flor da pele e esse olhar de afeto estavam muito presentes naquela noite”, explicou a professora em tom reflexivo.
A plateia, de fato, não foi mera espectadora, pois os sonhos de quem acompanhava o espetáculo entraram em cena. Uma caixa deixada na entrada do teatro foi preenchida com diversos bilhetinhos. Eram os sonhos colocados no papel que ganharam asas quando lidos pelas crianças durante a apresentação.
Os sonhos das crianças, claro, também estavam lá. No momento em que a caixa era levada para o centro do palco, o áudio do teatro sonorizada esses encantamentos. “A cena dos sonhos tinha o áudio delas contando quais eram os sonhos delas. Elas se apresentavam através dos seus sonhos. Em dado momento, entrava uma menina com uma caixa com os sonhos das pessoas da plateia”, descreveu Bel. “Foi muito forte. Quintal é o coração da criança, onde ela sonha e vive o lúdico. A ideia foi essa, essas brincadeiras que te levam para o que você vai ser”, contextualizou a educadora e dançarina, lembrando a referência ao nome da peça.
Ao final do espetáculo, Bel permanecia com o sorriso que a acompanhou todo o dia. O sorriso dela se cruzava com os outros, igualmente expostos nesse ambiente de magia. Porém, muito diferente daqueles encontrados antes da apresentação. Não somente pela ansiedade que se fora, mas pelo legado que a arte deixa. Ninguém pode esconder o sorriso de uma criança que cresce com artes!
“Eu acho que muitas se descobriram, todo mundo descobriu uma coisa que não sabia que tinha, descobriu um potencial, uma alegria, uma nova maneira de viver, de sonhar, de conviver, despertou algo novo muito positivo e no particular de cada um”, finalizou Bel.
A apresentação no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves marca um ciclo completo do projeto O Palco na cidade. Mas nos ciclos, o fim de uma peça é o início de um novo roteiro na vida das crianças.
O Polo Cultural agradece imensamente o apoio das professoras Andressa Francelino, Bel Droppa e Dafne Pereira pela dedicação imensurável na construção desse espetáculo, mas principalmente na formação de cidadãos. A iniciativa só foi possível com a confiança na AES Tietê nas artes e na cultura para a educação. Obrigado, Bauru!.