Alunos de O Palco colocam riso em cena para desconstruir princesas

Na turma do professor Fernando Fersa, na Escola Municipal Plínio Negrão, zona sul de São Paulo, são os próprios alunos que definem o tema da apresentação final de O Palco, que comunga mais um ciclo das atividades do Polo Cultural através do projeto. As escolhas sempre passam pelas vozes da nova geração, por isso o tema traz muito dos anseios atuais de comunicação dos jovens. Em 2018, eles vão desconstruir as princesas e personagens da infância.
“O ano passado montamos Risos e Angústias, uma peça que trabalhava o preconceito e o empoderamento da mulher com base no feminismo. Esse ano os alunos propuseram um tema mais relaxado, levando para o lado da comicidade”, conta Fernando Fersa.
A temática não exclui as polêmicas e o pensamento crítico que marcaram a apresentação do ano passado. O que mudará profundamente é a maneira de tratar esses assuntos. Os alunos estarão munidos do riso para atingir a reflexão do público. E quanta crítica não cabe em risadas? Quantos conceitos não são desconstruídos quando se esvaiam em uma gargalhada?
“Nesse espetáculo nem sempre o príncipe casa com a princesa”, adianta Fersa, dando o tom da apresentação que acontecerá no final do ano. O foco na comicidade levou o professor a trabalhar o improviso com os alunos, uma técnica avançada de teatro no qual o ator é colocado na berlinda diante do público. Sem roteiro, o riso é mais espontâneo e é esse estado de graça que a turma do Plínio Negrão quer atingir.
“Estamos trabalhando através de jogos de improvisação, onde se o aluno errar, tem que assumir o erro, mas a ideia é brincar”, afirma Fersa. O jogo cênico vem do brincar”, ressaltou o oficineiro de O Palco. Segundo o professor, a peça será 90% ensaiada, restando uma margem para que a improvisação entre em cena na apresentação. “É difícil, mas está rolando”, conclui.
O jogo de improvisação remete a um aprendizado que foge ao teatro para entrar na vida. “Didaticamente falando, é para saber que sempre se pode melhorar da próxima vez e fazer diferente. É assim a vida”, diz o professor Fernando Fersa, reflexivo.
A turma também planeja fazer uma homenagem a tudo aquilo que já foi desenvolvido com O Palco, destacando a peça Risos e Angústias que teve muito sucesso quanto encenada ano passado. “A gente traz algumas cenas de espetáculos que já fizemos, como se fosse uma homenagem a todos espetáculos. A ideia é ser um encontro como se fosse uma aula na apresentação”, revela.
A base do espetáculo será trabalhada através de contos tradicionais que serão alterados de acordo com uma nova perspectiva, do século XXI. “Fora os contos, também trazemos reflexões como a importância de ler, de sonhar sempre e viver o presente”, explica Fersa.