O resgate do circo em espetáculo de O Palco

O circo será montado na apresentação final das turmas de O Palco do CEU Jaçanã. Ao invés de lonas e picadeiro, será a criatividade que irá sustentar esse espetáculo que traz o ambiente circense como tema central para apresentar as metodologias artística do projeto.
Pelo terceiro ano consecutivo, a professora Andresa Retti está a frente da apresentação e dessa vez quis incorporar um tema diferente, com uma reflexão necessária. “No meu primeiro ano com o projeto trouxemos um tema infantil e ano passado uma apresentação mais musical. Então escolhi o tema desse ano pensando que poderia juntar habilidades em uma coisa diferente”, contou Retti.
Entretanto, Andresa não pensou somente em uma apresentação que encantasse o público, mas que também causasse uma reflexão, haja visto que a falência de muitos espetáculos circenses refletem a falta de apoio para esse tipo de espetáculo artístico.
“Nós vamos trazer os bastidores de um circo, dessa família circense. Como eles lidam com o público e com os ensaios, a preparação da trupe e o dia a dia do circo. No meio disso vem a apresentação, então serão dois momentos diferentes”, explicou a educadora.
 
O roteiro não poupara cenas de conflito para provocar o público, fazendo uma comparação com a geração da internet e dos jogos eletrônicos, que se abstém de atividades mais culturais. “O circo é uma coisa que ninguém mais liga, as pessoas preferem um passeio no shopping”, afirma Andresa, lembrando que 90% de seus alunos nunca haviam feito uma visita sequer ao circo.

Circo em O Palco resgata história e tradições da cultura artística do picadeiro.

Circo em O Palco resgata história e tradições da cultura artística do picadeiro.


 
Abram aas para o Acessibilidade
 
Professora da turma de teatro regular de O Palco e também do projeto Acessibilidade, ambas iniciativas do Polo Cultural, Andresa vai integrar os alunos das duas turmas em uma única apresentação.
“As crianças do Acessibilidade devem ficar no palco durante toda a hora de espetáculo programada”, pontuou Andresa, que no ano passado fez a primeira integração entre as turmas, mas os alunos com deficiência tiveram uma participação menor. “Esse é nosso desafio em 2018”, afirmou categórica.
A escolha dos personagens que devem compor a peça levou em conta a vontade dos alunos. “Fui pegando o que cada um gostaria de fazer. Teremos cena com palhaço, uma coreografia e dança com uma cadeirante”, adiantou, rememorando o roteiro da peça.
Ao longo das aulas, as crianças aprendem sobre os encantamentos do teatro e pelo poder das artes expressarem sonhos. No teatro, os alunos podem ser o que quiserem e são. “No Acessibilidade um dos alunos queria ser um homem forte, então criamos uma cena com guerreiros para ele participar”, conta Andresa Retti.
Se o tema circo se torna distante para uma geração categorizada como digital, o espetáculo resgata essa tradição. Nas aulas, Andresa já introduz as virtudes dessa arte e seus encantamentos.
“Eu levei uma apresentação filmada para a turma de Acessibilidade e eles ficam encantados, também trabalhamos aquele mito de ninguém querer ser o palhaço e muito alunos se voluntariam para incorporar o personagem humorístico”, reforça a professora.
Os ensaios já começaram, embora o roteiro ainda esteja sujeito a alterações e as aulas já ganharam uma energia especial nesse segundo semestre. Abram alas, o circo vai invadir o teatro. A arte do picadeiro ao palco!