Experiência musical abre novo canal de comunicação no Acessibilidade

Fabrício Cardeal é professor de música. Já deu aulas de cordas, violão e guitarra, mas chegou para a primeira participação no projeto Acessibilidade, do Polo Cultural, sem nenhum aparato musical, nenhum instrumento sequer.
 
Ao invés dos instrumentos, carregava uma série de recicláveis e fitinhas coloridas. O que pretendia o professor não era uma aula de música, mas sim uma experiência musical. Alcançou uma vivência artística memorável, tamanho engajamento dos alunos com a novidade.
 
A diferença entre aula e experiência também denota da formação de Fabrício. O músico está em vias de completar a formação como musicoterapeuta. “A gente tem várias crianças com necessidades diferentes no Acessibilidade e com alguns conceitos de musicoterapia queremos encontrar um objetivo em comum para estimular as potencialidades deles”, explica Cardeal.
 
Com essas ferramentas, Fabrício deseja ampliar as possibilidades de comunicação junto com os projetos do projeto Acessibilidade. “A gente precisa conhecer o indivíduo por inteiro, isso muda muito a abordagem, pois assim abrimos canais de comunicação e estimulamos a expressividade de cada criança, a música é nosso canal em comum”, acrescenta.
 
Novidade entre as crianças do projeto, Fabrício aproveitou para se apresentar junto com a música e o primeiro passo foi a construção dos próprios instrumentos que seriam utilizados na iniciativa com as crianças. Os materiais recicláveis foram sendo explorados, cada qual com seu som e com suas peculiaridades, para depois ganharem adereços coloridos, pois arte é feita de beleza.
 
“Quando a gente trabalha com a construção dos instrumentos, não tem certo e errado, a gente ressignifica os instrumentos. Meu lugar é de facilitar esse encontro”, pontua Cardeal.
 
 

Experimentar os sons e descobrir uma nova via de comunicação foi a experiência com Fabrício Cardeal.

Experimentar os sons e descobrir uma nova via de comunicação foi a experiência com Fabrício Cardeal.


Apesar das diferentes crianças com deficiência que o Acessibilidade abraça, elas se mostram unidas na vontade de aprendem e isso fica ainda mais evidente quando a música é o canal. “A música é nosso lugar comum, de muita abertura para o não-verbal, pois traz consigo a expressividade da arte. Toda criança carrega uma musicalidade e acabam encontrando a possibilidade de se conectar, de sentir”, reforça Fabrício.
 
Apesar da experiência como professor de crianças e com trabalho de inclusão, Fabrício Cardeal nunca havia tido um grupo tão heterogêneo. O desafio foi aceito sem hesitação.
 
“É uma necessidade do ser humano se expressar e a arte é a melhor forma para isso, pois você entra em contato com sua subjetividade, que nos revela um caminho mais potente. Isso, se tratando de crianças que já têm essa sensibilidade, é uma abertura de um caminho comunicacional muito grande”, afirma o professor.
 
O espaço ganhou composição de batuque e apesar da dissonância sonora, a consonância e harmônia se desprendiam dos sorrisos. Todos afinados.