Teatro na escola melhora comunicação de jovens da zona sul

Desde que o teatro foi adotado na Escola Estadual Plínio Negrão, na zona sul de São Paulo, a comunicação dos alunos mudou. Eles são mais expressivos e têm ganhos notórios de rendimento nas salas de aula. O uso das artes para fortalecer a educação é um dos princípios do projeto O Palco, que chegou para reforçar o teatro na escola.
O professor Fernando Fersa atua na disciplina de artes do Ensino Médio, mas é conhecido por ministrar o grupo de teatro. No contraturno escolar, ele organiza as aulas de artes cênicas com o objetivo de deixar os alunos mais confiantes, críticos e atuantes. Não tem a pretensão de formar atores.
“A gente usa o teatro também para melhorar a concentração e disciplina”, conta Fersa. O professor começou com as aulas de teatro antes da chegada do projeto e viu a iniciativa ganhar mais espaço com O Palco. “A gente continuou com a mesma vontade de antes, mas O Palco deu uma estrutura muito melhor e pudemos ver o resultado com mais clareza”, explicou.
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O grande trunfo do teatro foi seu impacto em outras disciplinas da escola. Os professores começaram a reconhecer a importância do trabalho com a mudança na disciplina e confiança dos alunos em sala de aula.
Larissa Dantas da Silva, 17, por exemplo soube lidar melhor com a timidez. “Eu tinha muita vergonha, principalmente nos trabalhos de apresentação. Fui melhorando isso ao longo do projeto para falar em público com uma dicção melhor e ter melhor relação com as pessoas também”, relata a estudante.
Além de ter trazido mais confiança para os alunos tímidos, as aulas de teatro também foram uma importante ferramenta contra a indisciplina. “Tenho essa conversa com os professores mensalmente e eles sabem quem está participando das aulas de teatro. Foi bem bacana a descoberta de que aqueles que antes davam problema na sala de aula, nas artes se descobrem. Eles passam a enxergar as coisas de outra maneira e isso melhora o comportamento”, explicou Fersa.
Para Larissa, o teatro também colabora para o entendimento que questões mais complexas, por exemplo problemas sociais, sempre em pauta com a turma de Fernando Fersa. “O teatro atinge mais pessoas, porque trabalha com o subjetivo e faz com que mais pessoas entendam. Vendo as atuações dos meus colegas, tiveram coisas que eu passei a entender melhor. Com o teatro, você sabe que está tocando a pessoa de uma outra forma”, afirmou a estudante.
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As artes têm um impacto enorme na vivência de Larissa na escola, não apenas por ter trabalhado com sua timidez, mas também por multiplicar as formas de comunicação. A jovem, que sempre demostrou gosto e talento para a escrita, ajudou a escrever os roteiros da peça e descobriu na prática como o mundo das artes se conecta profundamente.
“Eu sempre gostei de escrever, antes do teatro eu fiz um curso sobre isso. No teatro foi uma experiência diferente de criar vida e ver as pessoas interpretando. Foi muito interessante ver como as pessoas reagiam às cenas, como as duas artes se conversam”, contou.  O inverso também é válido. “Quando você vai em um Sarau, você não lê o papel, você atua”, completou.
A experiência dos alunos no teatro se torna marcante, até mesmo depois da formação no ensino regular. “O teatro abriu uma visão de mundo para mim, tanto é que eu pretendo fazer artes cênicas. Mesmo que não fizesse, já ia ter mudado muito a minha vida, em questão de desenvoltura, diálogo com as pessoas. Hoje eu consigo manter um diálogo com crianças, adultos, idosos. O teatro está no meu futuro e no meu presente”, afirma a aluna Amanda Correia, formada no Ensino Médio em 2017 e integrante do projeto O Palco.