A arte reverbera na autonomia de crianças

Arte é um dos conceitos mais amplos que existem. Essas quatro letras podem se traduzir em uma infinidade de manifestações. Ela é de tamanha importância que foi com a arte que o homem se comunicou pela primeira vez. É por isso que quando Rafael Curátolo fala do tema, sua voz ganha uma vibração diferente, de quem quer explicar o inexplicável.
Professor do projeto O Palco, do Polo Cultural, Rafael Curátolo dá aulas de teatro na Escola Estadual Ary Barroso, no Zona Norte de São Paulo. A participação como educador e sua enorme vivência como as artes denotam uma visão diferente nessa matéria.
Talvez as palavras sejam mesmo insuficientes para quem vive de arte, é preciso brilho no olhar e gestos de exclamação para traduzir esse conceito. “A arte tem um potencial enorme que reverbera em outras áreas, mas há uma diferença na maneira que olhamos para a arte. As oficinas foram importantes para as crianças se reconhecerem no gesto, na ação, como sujeitos autônomos, capazes de fazer escolhas e ter mais independência, autonomia, um modo de serem eles mesmo para agirem no mundo”, explica com base nas atividades de O Palco.
Para o professor Curátolo a arte não age como ferramenta dentro da educação, pois é ela mesma um agente transformador, cuja importância é tanta que os resultados reverberam nas demais ciências do ensino regular. A arte, entretanto, não pode ser vista como assessora do processo educacional, mas como gerente.
“Tem muitas coisas para observar matéria de arte, seja música, na dança, nas artes plásticas, no teatro. Às vezes a gente acha que a arte é uma ferramenta para algo ou alguma coisa, minha visão vai na contramão disso. Eu não considero como instrumento para alguma coisa, eu considero como já sendo algo importante, por si só!”, esclarece o educador.

Curátolo é professor de teatro na Escola Estadual Ary Barroso pelo projeto O Palco, do Polo Cultural. | Foto: Arquivo Polo Cultural

Curátolo é professor de teatro na Escola Estadual Ary Barroso pelo projeto O Palco, do Polo Cultural. | Foto: Arquivo Polo Cultural


A diferença para as demais ciências é que a arte não se expressa de forma analítica, com notas e resultados concretos. Ela está na maneira de ver o mundo, existe valor maior que esse?
“A gente encontra pais falando da diferença na hora do almoço, de como os filhos colocam a mesa, por exemplo. A arte muda toda uma configuração de como essa pessoa enxerga o mundo”, exalta Rafael Curátolo.
Nas aulas de teatro do projeto O Palco, ele prima pelo aprendizado que se diferencia da sala de aula, seja pela forma mais descontraída, mas até mesmo no conteúdo. “Quando a gente traz um conto tradicional, não queremos ser rígidos, mas dar repertório cultural para essas crianças, daquilo que eles não têm em sala de aula”, completa.
Outro ponto de fundamental importância nas aulas é trazer pontos de vista diferentes. “Para entender o emaranhado de uma história, eles passam por todos por personagens, com isso eles conseguem ter várias perspectivas de uma mesma narrativa”, acrescenta.
Muitos alunos que participam o projeto têm seu primeiro contato com o teatro. Eles sequer assistiram uma peça antes de começar as aulas e encontram a oportunidade de protagonizar o próprio crescimento.
As aulas de O Palco na Escola Estadual Ary Barroso reverberam seus resultados, difíceis de mensurar em números, pois em uma ciência inexata prevalecem incontáveis sorrisos de gratidão.
 
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