O futuro que se reflete no espelho do professor Edson

O espelho de grandes dimensões faz a sala parecer maior. Ele não reflete, ele dobra. O olhar para aquele espelho é um olhar além, pois há muito mais do que está refletido. O professor Edson não tem olhos opacos, ele vê o sonho dançar junto com aquele grupo de crianças. Ele vê o pulso que engrandece meninos e meninas. Ele vê adiante.
Edson Santos é um dos professores mais antigos do Polo Cultural. Ele dá aulas de dança no CEU Jaçanã, onde o trabalho sociocultural envolve afeição pela Zona Norte de São Paulo, base da fundação da entidade. Quando a dedicação para um trabalho não é motivada somente por recursos financeiros, outras funções se somam à figura de professor. Edson é pai, conselheiro e amigo de crianças e jovens que olham no espelho da sala de dança e vislumbram o mundo.
Com uma década de trabalho no CEU Jaçanã, Edson vê resultados expressivos na participação do Polo Cultural através do projeto O Palco. “Isso é visto pela gestão como uma parceria muito bacana com a gente, você vê mudar as crianças, mudar até os pais”, destaca o professor.
As palavras de Edson ganham ainda maior mérito quando recordamos o início do trabalho. A precariedade de recursos sociais nas comunidades atendidas se refletia na sala de dança. “Desde quando entrei no Polo – o projeto estava em Taipas, Jaraguá – desde lá, as condições das crianças eram precárias, vinham descalças. Hoje a gente está com quase cem alunos e na segunda semana já temos quase 90% uniformizados. Ao longo de quase dez anos mudamos o comportamento de como viam o balé. Hoje todo mundo quer participar!”, exalta.
Dia da Dança
O envolvimento de Edson com a dança foi ainda jovem e sem quaisquer pretensões de seguir uma carreira profissional. No entanto, as portas e as cortinas dos palcos foram se abrindo para que ele consolidasse uma carreira e seguisse como mestre de outras crianças que também se encantam com os movimentos da dança.
“Você começa por empolgação, mas lá na frente vê o quanto é fascinante, você se profissionaliza com muita dedicação. Geralmente quem trabalha com dança tem muita disciplina”, explica o professor. Ele reforça a ideia de que a carreira se faz com muito trabalho, com a busca insistente pela perfeição de movimento. Talvez por isso, Edson Santos não deixa de cobrar os alunos, para que eles encontrem sua melhor versão dentro do espaço de dança e na sociedade.
Para Edson, o instinto da dança é peculiar ao homem e indissociável de sua personalidade. “Desde a época das cavernas o homem tem o pulso, ele dançava em volta das fogueiras. Comigo foi assim, desde quando me entendo por gente esse pulso vem através da música e não consigo ficar parado”, afirma o dançarino.

Professor Edson transmite seus conhecimentos e vê futuro melhor para as crianças com as artes| Foto: Polo Cultural

Professor Edson transmite seus conhecimentos e vê futuro melhor para as crianças com as artes| Foto: Polo Cultural


O pulso que movimenta as pessoas para a dança também provoca a inquietude necessária para não aceitar as mazelas e as injustiças. Com a dança e o acesso às ações culturais, a mentalidade de enfrentamento ajuda no curso dos alunos da periferia de São Paulo. Seja pela dança ou outros movimentos artísticos, além de afastar dos problemas sociais, esse tipo de trabalho aproxima os jovens das virtudes das artes.
O que Edson Santos vê tem reflexo no futuro, e não somente espelho.
 
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